A Gaveta dos Ratos Meus filhos haviam nascido numa grande cidade, fora de Portugal, onde passaram os primeiros anos da sua meninice. As crianças; três meninas e um rapaz, ao chegarem à aldeia, tudo para elas era novidade, e aventura. Ali ficava a casa dos avós, onde viemos morar. Adoravam brincar no quintal da casa, subir às árvores colhendo e comendo frutos, encontrar ninhos por entre a folhagem, correr com o Fidalgo, cão miúdo e rafeiro, enfim, fazer mil e uma ciosas, que na cidade não lhes era permitido . Nessa casa, já muito antiga, existia uma velha mercearia, com uma taberna anexa, que há vários anos fechara as portas ao público , onde se acumulavam trastes à mistura com toda a sorte de artigos, que lá ficaram após o fecho. Este era o reino onde as crianças faziam descobertas, imaginavam histórias, se encantavam com toda a sorte de achados; um mundo de faz de conta, onde ela...
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Os sons da minha rua num dia de confinamento
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Os sons da minha rua num dia de confinamento (Hoje chegou a primavera e tudo mudou) É outono, aquela estação que eu detestava, por me lembrar o fim do verão e a chegada do inverno, mas que hoje aprecio. A tarde está serena e calma, com uma temperatura amena. A azáfama parou por obrigação do covid. O motivo é mau, porém o resultado excelente. Fui até à varanda para saborear o final do dia. Um céu límpido, um ar tão puro que nos deixa a sensação de adocicado. O vento estava preso lá para os picos do fim do mundo. Tudo tão quieto! As árvores, tal como artistas de strip, iam deixando cair as suas últimas roupas, muito, muito devagar. A lua atrevida, mas mais bonita que nunca desafiava o sol que ainda brilhava no poente. Que silêncio magnífico se podia desfrutar! Que placidez! Que sossego! Ouviu-se ao longe uma criança rir, depois tagarelar e rir de novo. Um cão ladrou de uma varanda pressentindo algo. Era um amigo que pela trela, acompanhado do dono, vinha dar o seu pas...
Laura Um Grito no Silêncio
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HOMENAGEM A TODAS AS MULHERES 8 /3 / 2021 LAURA UM GRITO NO SILÊNCIO É um romance de Aida Viegas dedicado a todas as Mulheres, da sua Rua, da sua Cidade, do Mundo. Aos homens que as amam e são por elas amados. Exorta a que cada Mulher exija ser feliz junto dos seus homens: seus pais, seus irmãos, seus noivos, seus maridos, seus filhos, seus amigos e a que não desista de ocupar o seu lugar sem atropelos nem concessões. SINOPSE Este romance é a história de uma mulher, bonita, moderna, muito humana e boa profissional. Professora, casada com um médico de boa família. Educada num colégio de Freiras, nunca abdicou dos seus princípios religiosos. O silêncio terá sido o seu grande erro. A acção desenro...
EDUCAÇÃO
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EDUCAÇÃO EDUCAÇÃO Educação tema que urge ser encarado por todos nós como o caminho seguro que encurta as distâncias entre as classes sociais. A educação constitui um eficiente antídoto contra a violência, a criminalidade, a doença e tudo o que dificulta o crescimento harmonioso e salutar de um povo. Na educação tem de estar sempre presente a pedagogia dos afetos. Sem uma ligação forte entre a família, a escola e a igreja não se encontra o equilíbrio necessário. Educar é muito mais que instruir. Instruir é transmitir conhecimentos. Educar é instruir e formar, é iluminar a inteligência para as funções harmoniosas de ser humano na sociedade. Sem uma educação autêntica e completa não se alcançará o verdadeiro progresso. A sociedade não pode alhear-se da educação dos seus membros e a família e o estado devem dedicar toda a sua atenção a este tema. Um jovem educado, com auspícios de paz, amor e justiça dá um cidadão de plenos direitos. O ensino deve ter a profundidade ba...
Natal de Ontem e de Hoje
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NATAL DE ONTEM E DE HOJE Noutros tempos, nas nossas aldeias, o Natal era uma festa que se restringia quase exclusivamente a práticas religiosas; festa singela, mas fiel ao seu verdadeiro significado. Começava-se a preparação com as novenas ao Menino Jesus em todos os lugares, nos nove dias que antecediam a noite de vinte e quatro de dezembro. Homens, mulheres e crianças reuniam-se na igreja ou capela para rezarem e cantarem em louvor do Deus Menino, preparando o seu nascimento e todo o povo ali acorria com grande devoção. Essa prática caiu no esquecimento, mas há lugares que estão a retomar a tradição. Ora cantavam os homens, ora as mulheres intercalando fervorosas preces. Eis algumas quadras dos cânticos, entoados nas novenas, nas noites frias de dezembro. Vinde ó pastores Com sua alegria Redentor do mundo Nasce de Maria (bis) Do varão nasceu a vara Da vara nasceu a flor Da flor nasceu Maria De Maria o Redentor...