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TOQUE A FINADOS Ouvi tocar a finados mas era um toque diferente de todos os que já ouvira. Não sei que tinha de estranho; acordou-me, era manhã e deixou-me triste e ansiosa. Ouvira rumores de uma sentença de morte nas imediações mas nem quisera acreditar. Pessoas letradas, já com bastantes anos de experiência não embarcariam no aplauso de um acto tão impensado e prejudicial. Levantei-me de supetão porque a inquietação se sobrepunha ao calor aconchegante da cama. Quando saí à rua, algum tempo depois, deparei-me com o inacreditável. Uma vetusta e muito bela árvore, mais uma, havia tombado à força da motosserra, levando consigo, uma amiga, sua vizinha que com o embate sucumbiu também. Lá iam as duas em dois camiões, para a queima ou lixeira, deixando mais pobre a nossa rua, o nosso jardim, já tão entristecido com os derrubes anteriores. Ficou, no chão dorido, um cepo largo, grande, tão grande que metia dó. E um espaço calvo, triste, tão triste como...
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AMENTAR DAS ALMAS (terminar dos dois textos anteriores) O amentar das almas caiu no esquecimento por alguns anos, mas foi retomado em Malhapão, onde o seu uso era dos mais antigos, por um grupo de homens crentes com gosto pelo canto e pela música, que procuraram seguir os passos dos seus antepassados. Como na altura não encontrassem ninguém conhecedor da letra antigamente usada, arranjaram quem recriasse uns versos adequados e foi com letra de António Fresco e uma adaptação da música que andava ainda no ouvido de muitos, que se reorganizaram. As quadras cantadas por este último grupo de Malhapão são as que se seguem: Ó almas que estais dormindo Nesse sono tão profundo Acordai e rezai Às almas do outro mundo. Rezai mais um Pai Nosso E também uma Avé Maria Pelas almas deste ramo E de toda a freguesia. Se o teu coração sente Quanto custa o sofrer Deixa as vaidades d...