Os Burriqueiros Homens, acompanhados do seu burro, que visitavam, sobretudo a Quintã, comprando fruta, mais propriamente laranjas, que iam depois vender à fábrica de refrigerantes, a Cantanhede. Oriundos da Ponte de Vagos, os burriqueiros demandavam terras distantes. Muitas vezes dormiam por lá, debaixo de qualquer abrigo. Tinham os seus animais em grande estima porque eles os ajudavam a ganhar a vida. Certo dia morreu um jumento próximo da Cúria atropelado por um comboio e para espanto dos moradores, deram com o dono e os amigos todos a chorarem pelo burro. O animal era de tal ordem que lhe tinham estima como a uma pessoa. Compraram outro, mas esse não chegava aos calcanhares do finado. O dono desse animal, rapaz novo ainda, resolveu, passado algum tempo, emigrar para França, e foi a sorte dele. Lá pela Ponte de Vagos, em todas as casas havia um burro. Os burros para andarem na rua tinham de ter uma licença emitida pela...
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A Fonte dos Milagres A propósito apetece-nos contar uma história que ouvimos há muitos anos, relativa a uma fonte, que embora não pertencendo à freguesia, se situa muito próximo. Acontece que existe nessa dita fonte, um pequeno tanque, por baixo da bica, onde cai a água fresca. Certa tarde, vindo o Ti Jaquim de volta a casa, com um pequeno rebanho de cabras, depois da pastagem, passou por ali, como de costume, com o fim de deixar os animais matar a sede. Por sorte, ou azar, um dos machos, um bode corpulento e frequentemente agressivo, correndo à marrada tudo e todos que se atravessassem no seu caminho, trepou, e contra todas as previsões, escorregando, mergulhou de cabeça, no tanque. Ao s...
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LAURA um grito no silêncio Notas Biográficas Aida Viegas, natural de Oliveira do Bairro, estudou em Coimbra, viveu treze anos em Luanda e reside actualmente em Aveiro. Passou grande parte da sua vida ligada ao ensino. Nascida ao som de um bandolim, repartida entre a pintura, a escrita e as viagens, ama a poesia. Delicia-se a calcorrear os caminhos do mundo, da vida. Inebria-se com a cor. Acredita num mundo onde a liberdade, vivida desassombradamente, não atropele minorias e seja garante de seres sem dependências. Onde o ter não avassale o ser, o homem preserve a vida, livre de preconceitos e a terra seja o prelúdio do paraíso. Onde a mulher, qualquer mulher, todas as mulheres, possam viver com a dignidade que ao nascer é conferida a qualquer ser humano, independentemente do lugar onde nasceu, das funções que desempenha, dos estatutos que regem a sociedade onde está inserida, do nome do Deus em que acredita. Apaixonada pelo conhecimento de novas terras, novas gentes...
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"LAURA - Um Grito no Silêncio" (texto contra capa) ─ romance extremamente envolvente e arrebatador; mas realista e profundo; ─ “acalma” a voracidade do leitor, entremeando descrições de “ circunstâncias envolventes” ou de “paragens no tempo” pela repescagem de “memórias”, em momentos empolgantes; ─ junta o “real” e o “sonho” entrecruzando-os como magia… Helena Serra Fernandes