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FESTA DE SANTO AMARO - ROMARIA DE INVERNO Passado o Natal, bem no centro do Inverno, mais propriamente, a quinze de Janeiro, festeja-se, desde tempos imemoriais, Santo Amaro de Malhapão. – “A Festa dos Figos, lhe chamam alguns”. É que em tempos idos, quando a mesa não era tão farta como hoje, os figos secos eram um manjar dos deuses e não se comiam todos os dias. Aproveitavam os antigos para os comprar na festa de Santo Amaro em Malhapão onde os encontravam em abundância e de boa qualidade. Porém o que atraía e atrai tão grande número de peregrinos, naquele dia, à capela de Santo Amaro é sem dúvida a fama dos seus milagres e da ajuda que Ele dispensa a quem a Ele recorre com suas orações, pedindo-Lhe saúde principalmente saúde para suas pernas. Até se costuma dizer a quem se encontra em aflições para escapar de qualquer embaraço: - “Pede pernas a Santo Amaro.” Se por lá aparecermos no próximo dia quinze de Janeiro encontraremos, como sempre acontece nesse dia, a igreja (sim porque hoje...
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Doutora Honoris Causa Certo dia estando Rosa nas urgências do hospital na prestação do seu serviço de voluntariado, apareceu, para ser atendida, uma senhora simples, dos arredores da cidade, que tinha sido mordida numa perna, por um cão. A senhora encontrava-se deitada numa maca no corredor das urgências, e Rosa como era seu costume, abeirou-se da doente e entabulou conversa com ela, de modo a prestar-lhe o auxílio de que necessitasse. A boa mulher foi-lhe contando o motivo porque viera ali parar, foi-lhe dizendo da sua preocupação em o dono do cão ser molestado, o que no seu entender não seria correcto visto ser ela a ter-se metido com o animal enquanto ele estava a comer, o que o ilibava da culpa da sua agressão. Enquanto falava, a paciente tratava a voluntária por senhora doutora, trato que Rosa rejeitou, dizendo à senhora que não era doutora e que portanto não a tratasse assim. Afastou-se da doente por momentos, indo atender outras pessoas, mas esta logo que pode chamou-a e continu...
A Mulher do Carapau Há uns anos atrás, numa certa manhã de sábado, desloquei-me ao mercado de frescos Manuel Firmino, acompanhada de uma das minhas filhas e seu respectivo marido, o meu genro mais recente; haviam casado há pouco. No exterior do recinto do mercado, encontrámos, quando íamos a entrar, uma peixeira com uma carreta a vender carapau muito fresquinho. Ela não podia entrar no mercado porque ali não era permitido vender peixe. Nós apreçámos o peixe e ficámos com a ideia de comprar algum para o almoço, mas só à saída, pois não era muito prático andar a fazer as outras compras com o peixe na mão, além de que se poderia deteriorar com o calor. Comprámos tudo o que precisávamos o mais rápido possível, e quando saímos procurámos a peixeira. Não a encontrando no lugar onde a viramos antes, demos até uma volta ao mercado, não fosse a senhora ter mudado de sítio, mas dela nem rasto. Como era pouco provável, ela ter vendido todo o peixe que tinha na carreta em tão curto espaço de t...
S. Francisco da Califórnia Uma bela manhã estando eu com meu marido de visita à cidade de S. Francisco, na Califórnia, hospedados num dos hotéis locais, descemos à sala de refeições a fim de tomar o pequeno-almoço. Prontamente um dos empregados de mesa se dirigiu a nós cumprimentando-nos e perguntando se pretendíamos café e leite visto que tudo o resto estava servido em bufet. Retribui os cumprimentos e no meu péssimo inglês pedi-lhe, que por favor, nos trouxesse café e leite, mas quente. (Era costume servirem sempre o leite frio.) O rapaz cortesmente anuiu com a cabeça, e afastou-se com um sorriso. Passados poucos instantes regressou com um café cheiroso e um pequeno bule de leite, mas gelado. Apalpei o bule e verificando que não estava como era meu desejo, tentei através de gestos explicar-lhe o que pretendia, pois, estava claro, que mais uma vez o meu inglês não funcionara. O empregado que por sinal tinha ares de mexicano, percebeu e trouxe-nos o leite quent...
A caminho de S. Franciso
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