A Medida Exacta
Certo dia encontrando-me ao balcão de um estabelecimento onde vendíamos artigos de noiva, entrou na loja um homem novo, solteiro certamente, dado que não usava aliança, e pediu que lhe mostrasse conjuntos de calcinhas e soutien, bem modernos e bonitos pois pretendia comprar um, para oferecer à sua namorada, que fazia anos daí a dois dias.
Prontamente fui buscar-lhe um vasto número de caixinhas com os mais variados e recentes modelos que havia acabado de receber da Alemanha.
Ele foi observando atentamente uns e outros, e escolheu um conjunto bem bonito e ousado.
Levo este, disse, recomendando-me que fizesse um embrulho para presente.
Temos antes de ver o tamanho. Diga-me por favor qual é a estatura da sua namorada, para poder avaliar o número que lhe convém, ou será que saiba o número que ela usa?
Este tamanho está ótimo. – Retorquiu, sem sombra de dúvida.
Ainda bem que sabe o número. Acrescentei.
Claro que sei. Respondeu ele prontamente. É este, e mostrou-me o tamanho, pondo a mão em concha e voltada para cima, encaixada na copa do soutien. É a medida exacta.
AIDA VIEGAS
RESPOSTA DA MINHA VISAVÓ Maria Almeida era uma jovem ao que ouvi um tanto irreverente, mas astuta. Falando um dia com uma familiar mais velha sobre o seu possível futuro casamento com um jovem da Silveira, Manuel da Silva Pires (de apelido Bartolo), a familiar disse-lhe: Então Maria! Ouvi dizer que te queres casar com o Manel Pires. Tu arrebitada como és pensas que vais para aquela casa de gente tão educada, estudada e rica e eles te aguentam o teu feitio? Queres mesmo casar-te com o rapaz e ires lá para o meio deles na Silveira? Vai, vai que eles lá tiram-te a lama das unhas. Ou te amochas ou vens recambiada, passado pouco tempo. Não se aflija tia Rosa que eu sei bem o que hei de fazer, passo ao Barbito, (um pinhal, cheio de mato, a meio do caminho entre uma casa e a outra) esfrego bem os pés no mato e deixo lá metade do meu génio e se ele me fizer falta, volto lá a buscá-lo. ...
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